ULS Médio Tejo implementa equipa especializada para melhorar acessos venosos
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ULS Médio Tejo implementa equipa especializada para melhorar acessos venosos de utentes com tratamentos prolongados e oncológicos
A ULS Médio Tejo está a implementar uma nova resposta hospitalar para tornar mais segura, precisa e confortável a colocação de acessos venosos, um procedimento essencial para muitos utentes internados ou em tratamento prolongado. A criação da nova Equipa de Acessos Vasculares Ecoguiados já iniciou atividade no Hospital de Tomar, sob coordenação do Serviço de Anestesiologia, e será progressivamente alargada às unidades hospitalares de Abrantes e Torres Novas.
A colocação de um acesso venoso é um dos procedimentos mais comuns em contexto hospitalar. No entanto, para alguns utentes, pode transformar-se num momento de grande desconforto, envolvendo várias tentativas, dor, ansiedade e, no limite, impactando o início dos tratamentos. Esta realidade é particularmente relevante nos doentes oncológicos, nos utentes internados durante períodos ou tratamentos prolongados, ou em pessoas com acesso vascular difícil.
A criação desta resposta na ULS Médio Tejo surge para enfrentar um problema com impacto clínico e organizacional significativo. Estima-se que a perda precoce de acessos venosos periféricos ocorra em cerca de 35% a 50% dos casos, por situações como obstrução, infiltração, flebite, extravasamento ou infeção no local de punção. Em Portugal, cerca de 25% dos utentes poderá necessitar de duas a oito tentativas até se conseguir uma punção venosa com sucesso, uma realidade que reforça a necessidade de equipas diferenciadas, formação específica e recurso a tecnologia ecográfica.
É neste contexto que a ULS Médio Tejo avança com a criação de uma equipa dedicada e diferenciada em acessos vasculares ecoguiados. Com recurso à ecografia, os profissionais de saúde conseguem visualizar os vasos sanguíneos em tempo real, identificar o acesso mais adequado e orientar a colocação de cateteres e outros dispositivos com maior precisão. Para o utente, esta abordagem pode significar menos picadas, menos dor, menos ansiedade e menor risco de complicações.
A implementação do projeto iniciou-se através da formação de uma equipa nuclear, composta por médicos anestesiologistas e enfermeiros, com treino teórico, simulação prática e prática supervisionada. A fase inicial decorre no Hospital de Tomar, tendo como base a Unidade de Cuidados Pós-Cirúrgicos, prevendo-se depois o alargamento progressivo da resposta às restantes unidades hospitalares da ULS Médio Tejo.
Para o médico anestesiologista Edgar Semedo, coordenador do projecto, esta é uma resposta que alia diferenciação técnica a uma preocupação muito concreta com a experiência do utente. “A ecografia permite-nos visualizar, decidir melhor e atuar com mais segurança. O objetivo é reduzir tentativas, evitar sofrimento desnecessário aos doentes e garantir que o tratamento de que o utente precisa começa nas melhores condições possíveis”, sublinha.
A concretização do projeto tem uma forte dimensão de enfermagem, uma vez que são os enfermeiros que, no contacto diário com os utentes, asseguram grande parte da colocação, vigilância e manutenção dos acessos venosos, identificando precocemente dificuldades, complicações e necessidades de referenciação diferenciada.
Para Tony Maia, enfermeiro coordenador da Equipa de Acessos Vasculares Ecoguiados, esta nova resposta “vem valorizar uma área central da prática de enfermagem e dar melhores condições às equipas para cuidar com mais segurança”.
Para Nuno Franco, Diretor do Serviço de Anestesiologia da ULS Médio Tejo, a força desta resposta assenta na sua natureza multidisciplinar e no trabalho conjunto de diferentes profissionais e serviços. “Esta é uma equipa em que médicos anestesiologistas e enfermeiros trabalham lado a lado, com competências partilhadas e objetivos comuns, em estreita articulação com os vários serviços da instituição. É essa colaboração entre diferentes áreas e profissionais que nos permite dar uma resposta mais segura, mais eficiente e verdadeiramente centrada em cada utente. Acreditamos que é assim, em equipa, que se constrói uma medicina perioperatória de excelência”, refere.
A nova equipa vai também criar circuitos internos para que os serviços possam referenciar os utentes que necessitam deste tipo de resposta, garantindo uma abordagem mais organizada, mais rápida e mais adequada a cada situação clínica. Para além da colocação de acessos venosos ecoguiados, o projeto prevê a criação de protocolos, formação contínua dos profissionais e acompanhamento de indicadores como a taxa de sucesso à primeira tentativa, o número de complicações, o tempo de resposta e a satisfação dos utentes e das equipas.
Casimiro Ramos, Presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo, este projeto traduz a aposta da instituição numa medicina cada vez mais segura, diferenciada e humana. “A inovação em saúde só cumpre verdadeiramente a sua missão quando melhora a vida das pessoas. Este projeto nasce da ciência, da tecnologia e da formação, mas chega ao utente sob a forma de menos dor, menos ansiedade, mais segurança e maior confiança. É este o caminho que queremos continuar a fazer: transformar conhecimento técnico em cuidado próximo, rigoroso e profundamente humano”, afirma.