Luís Represas morreu esta quarta-feira aos 69 anos, vítima de doença prolongada, de acordo com a agência que o representava.
Fundador dos Trovante em 1976, ligação que se prolongou até 1992, iniciou no ano a seguir numa carreira a solo, que se tornou uma das mais bem-sucedidas da música portuguesa.
O músico comemorava este ano os 50 anos de carreira, divididos entre os Trovante e a solo, tendo atuado em março com a banda no Meo Arena, em Lisboa, e no Pavilhão Rosa Mota, no Porto.
Celebrado por temas como “Feiticeira”, “Da próxima vez”, da carreira de Represas a solo, ou “Perdidamente” e “Timor”, dos Trovante, Luís Represas colaborou com Fausto Bordalo Dias, José Afonso, Carlos do Carmo, Bernardo Sasseti, Pablo Milanés, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Jorge Palma, Phil Collins, Compay Segundo, Gilberto Gil e Carlinhos Brown, entre outros.
Em 2019, recebeu o Prémio Pedro Osório atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores pelo disco “Boa Hora”, que distinguia um trabalho discográfico editado no ano anterior “que possa resumir também a qualidade global de uma carreira“.
Para além de uma agenda regular de espetáculos apresentava atualmente o programa de televisão “Língua Mãe”.
A história começou a ser contada em 1993, com a edição do primeiro álbum a solo, “Represas”, gravado em Cuba e que contou com a colaboração de músicos locais, entre os quais Pablo Milanés (1943-2022), com temas como “Neva sobre a marginal” e “Feiticeira”, que descreveu como “um reencontro comigo próprio”.
Seguiram-se “Cumplicidades”, com a colaboração do pianista Bernardo Sassetti (1970-2012), “A Hora do Kobo” (1998), “Código Verde” (2000), “Reserva Especial” (2001), “Fora de Mão” (2003), “Olhos nos olhos” (2008), novamente gravado na íntegra em Cuba e com a participação da cantora brasileira Simone, “Luís Represas e João Gil” (2011), num reencontro com o cúmplice dos Trovante, “Cores” (2014), “Boa hora” (2018) e “Miragem” (2024).
Em declarações à Lusa em 2017, escusava-se a fazer um balanço dos 40 anos de carreira, considerando que esse ato era um exercício “contabilístico”, preferindo sublinhar que passou quatro décadas de carreira a fazer “aquilo que sempre quis” em termos profissionais, aprendendo, também, com os erros que foram surgindo.
Não foram ainda divulgadas informações sobre as cerimónias fúnebres.