Setembro, Mês da Sensibilização para os Cancros do Sangue
🕒 16:04h
“Se eu mandasse”: o que mudaria nos cuidados às pessoas com cancro do sangue?
No âmbito do “Setembro, Mês da Sensibilização para os Cancros do Sangue”, a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) relança a campanha “O sangue que há em mim”, este ano sob o mote “Se eu mandasse”. A campanha parte da experiência de pessoas com cancros do sangue e de profissionais de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para identificar mudanças concretas que poderiam melhorar os cuidados e a qualidade de vida das pessoas com doença hemato-oncológica.
A campanha é lançada no dia 3 de setembro, num evento que decorrerá na Sala de Âmbito Cultural do El Corte Inglés, em Lisboa, entre as 17h00 e as 19h00, e contará com a presença de participantes na campanha e de outros convidados ligados à saúde, à participação cívica e à defesa dos direitos das pessoas com doença.
“Se eu mandasse” parte de uma pergunta simples: o que mudaria se pudesse decidir? A campanha assenta na ideia de que a experiência de quem vive a doença e de quem diariamente acompanha os doentes pode ajudar a identificar soluções para problemas que persistem no sistema de saúde.
Depois de várias edições de “O sangue que há em mim” centradas na experiência e nos desafios de quem vive com cancro do sangue, este ano a APCL propõe um passo em frente: passar da identificação dos problemas à procura de soluções.
Para isso, a APCL convidou 9 profissionais de saúde e 11 pessoas com doenças hemato-oncológicas a responderem a 18 perguntas, organizadas em quatro áreas estratégicas do sistema de saúde:
Diagnóstico e acesso aos cuidados
Humanização dos cuidados
SNS e organização dos serviços
Apoio à pessoa com doença durante e após os tratamentos
As perguntas foram organizadas em pares e respondidas separadamente por duas ou três pessoas. O resultado revela uma surpreendente sintonia entre profissionais de saúde e pessoas com doença, que, a partir de experiências diferentes, apontam muitas vezes para soluções semelhantes.
“Se eu mandasse” é, assim, um convite à reflexão, mas sobretudo à mudança: parte da experiência vivida na primeira pessoa para deslocar o olhar dos problemas para as soluções e questionar o que podemos fazer diferente.
Ao longo de setembro, a APCL irá revelar progressivamente as respostas e propostas dos participantes, dando visibilidade a diferentes perspetivas sobre o que pode ser melhorado no acompanhamento das pessoas com cancros do sangue.
Desde a campanha de 2024 de “O sangue que há em mim”, a Johnson & Johnson Innovative Medicine tem acompanhado esta iniciativa, aprofundando a reflexão sobre o impacto da comunicação na experiência de quem vive com uma doença hemato-oncológica. A esta parceria têm-se juntado outros parceiros, permitindo ampliar substancialmente o alcance da campanha.
Ao longo deste mês dedicado à sensibilização para as doenças hemato-oncológicas, a campanha assinalará várias datas de sensibilização, entre as quais o Dia Mundial da Leucemia Linfocítica Crónica (LLC) (1/09), o Dia Mundial da Leucemia (4/09), o Dia Internacional das Neoplasias Mieloproliferativas (NPM) (10/09), o Dia Mundial do Linfoma (15/09), o Dia Mundial da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) (20/09), o Dia Mundial da Leucemia Mieloide Crónica (LMC) (22/09) e o Dia Europeu do Mieloma Múltiplo (27/09).
A campanha será divulgada no site e redes sociais da APCL — Facebook; Instagram; LinkedIn; YouTube — e através dos seus parceiros.
Reconhecendo que o acesso aos cuidados em contexto de doença oncológica vai muito além da esfera clínica — não se resume a tratar a doença —, “Se eu mandasse” desafia-nos a refletir sobre tudo o que pode contribuir para cuidados mais humanos, mais próximos e mais equitativos. A campanha pretende, assim, promover uma comunicação mais positiva e estimular uma intervenção cívica empática e informada, capaz de transformar a experiência de quem vive com doença hemato-oncológica.
A campanha “Se eu mandasse. O Sangue que há em mim” concretiza-se graças aos seguintes apoios e parceiros:
· Apoio: Johnson & Johnson e AstraZeneca / Amgen e Daiichi-Sankyo / AOP Health, Gilead Kite, GSK, Ideogen, Kyowa Kirin, Lilly, Roche, Sanofi, Sebia, Servier e Takeda.
· Parceiros Científicos: Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH); Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa (AEOP), Grupo de Estudos de Hematologia da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF).
· Apoios Institucionais: Câmaras Municipais de Alcobaça, Alijó, Almada, Angra do Heroísmo, Barcelos, Coimbra, Évora, Faro, Lagoa, Lisboa, Loulé, Matosinhos, Mogadouro, Oeiras, Porto, Santarém, Viana do Castelo e Viseu e Junta de Freguesia do Areeiro.
· Parceiros de divulgação: AgencyAzores, Associação Nacional de Municípios Portugueses, ATLAS, Atrium Saldanha, Burson, Correio da Manhã (grupo medialivre), El Corte Inglés, Escola Superior de Saúde de Lisboa, Escola Superior de Saúde de Santarém, Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Fertagus, JCDecaux, MOP, Observador, PressPeople, SIBS, TIME OUT.
Sobre os cancros do sangue:
A Organização Mundial da Saúde (OMS), no seu sistema de classificação de tumores hematopoiéticos1 e linfoides2, agrupa estas doenças como “neoplasias3 hematológicas” ou “neoplasias dos tecidos hematopoiéticos e linfoides”.
1) referente à produção e desenvolvimento de células sanguíneas.
2) células, tecidos e órgãos do sistema imunitário que contêm predominantemente linfócitos, responsáveis pela defesa do organismo.
3) massa de tecido que resulta do crescimento e divisão celular descontrolados e anormais.
A expressão “cancro do sangue“ é usada genericamente para indicar que estas doenças:
· São malignas
· Afetam o sistema sanguíneo ou imunitário
· Não formam, em geral, tumores sólidos visíveis
Os cancros do sangue são doenças mais raras e incluem: leucemias (agudas e crónicas); síndromes mielodisplásicas (SMD); neoplasias mieloproliferativas (NMP), como a mielofibrose, a policitemia vera e a trombocitemia essencial; linfoma de Hodgkin (LH); linfoma não Hodgkin (LNH), que inclui o linfoma cutâneo; e mieloma múltiplo (MM).
Em Portugal, e de acordo com o Registo Oncológico Nacional de 2022 (publicado em dezembro de 2025), havia 4.767 novos casos de cancros do sangue em 2022, para um total de 60.954 novos casos de cancro, representando cerca de 7,8% de todos os tumores. O sétimo tipo de cancro mais incidente em Portugal foram os linfomas não Hodgkin, com 2.084 novos casos em 2022.