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Opinião Cândido Marques - André Ventura / Contra tudo e contra todos

🕒 13:44h







Em Algueirão Mem-Martins, uma freguesia do concelho de Sintra, cresceu um jovem conservador, que trilhou caminhos seminaristas, um filho da classe média baixa, envolvido num ambiente de “melting pot“ do subúrbio de Lisboa e que, de tão focado nos seus estudos, negligenciou a atividade política e partidária na JSD. Ao final de cinco anos, tornou-se um dos melhores alunos da sua faculdade de direito, obtendo uma nota muito acima da média do que é comum. Doutorou-se em Direito Público e mais tarde, ingressou nos quadros do Ministério das Finanças, como quadro da Inspeção Tributária e foi convidado a dar aulas onde tinha estudado. Conhecido pelo seu benfiquismo e amizade às elites do emblema da luz, foi puxado para a CMTV com a finalidade de defender o seu Benfica. Aqui, ganhou experiência e muita maturidade quer a debater, quer em expressar-se à frente das câmaras. Politicamente, foi lançado por Pedro Passos Coelho, ao convidá-lo para cabeça de lista à Câmara Municipal de Loures. Um concelho com muitos bairros, pobreza e muitos casos de subsídio-dependência, quer com o apoio do Estado local, quer com o do Estado central. Um concelho com pouca coesão social e territorial, com muitos problemas de segurança e vários locais de bairros improvisados. Aquele jovem, na altura com 36 anos de idade, teve o desplante, a frontalidade e a coragem de confrontar os interesses ali presentes. Pela forma como se expressava, o CDS retirou-lhe a confiança política à sua candidatura. Continuou com o apoio do PSD, liderado por Pedro Passos Coelho, e teve o melhor resultado de sempre naquele concelho de Loures. Na liderança de Rui Rio, internamente, achou que o seu líder era excessivamente colaboracionista e muito cooperativo com a geringonça e o seu amigo de sempre, o António Costa. Tentou os seus movimentos internos, mas logo percebeu que tinha de criar um novo partido político.

Vamos a números: no ano de 2019, para as legislativas, conseguiu ser eleito deputado à Assembleia da República com 67.826 votos; no ano de 2021, para as presidenciais, conseguiu 496.773 votos; no ano de 2021, para as autárquicas, obteve 19 vereadores e 173 deputados municipais com 429.877 votos; no ano de 2022, para as legislativas, elegeu 12 deputados com 399.510 votos; no ano de 2024, elegeu 50 deputados, com 1.169.836 votos; no ano de 2025, elegeu 60 deputados, com 1.437.881 votos; no ano de 2025 conseguiu eleger 137 vereadores e 637 deputados municipais com 706.202 votos; no ano de 2026, para a primeira volta das presidenciais, obteve 1.315.913 votos; na segunda volta atinge o resultado de 1.729.381 votos. Hoje é líder da oposição no parlamento e teve a ousadia de, ao final de 40 anos, provocar uma segunda volta as eleições presidenciais. Tudo isto em sete anos de existência. Se o CH é André Ventura e este é o CH, se há essa diluição, então a organização política que criou, está a crescer lentamente quase sem se notar. Tem quarenta e três anos de idade, portanto, provavelmente teremos mais vinte anos pela frente. É caso para dizer, com paciência de chinês, vai tendo um olho no burro e outro no cigano, e com a inteligência que se lhe conhece, será sagaz e astuto na tentativa de conquistar o Poder. Em ciência política isto é um fenómeno.

Contra tudo e contra todos, candidatou-se nestas eleições às presidenciais de 2026. Com grande parte do partido contra, incluindo membros da sua direção, e com visão de curto prazo, mas também de longo prazo, insistiu, resistiu e assumiu o risco. Segundo o próprio, o mercado eleitoral conquistado até então não poderia ficar órfão, face à iminência da ausência de um candidato que os representasse. Esse era o maior risco, segundo a sua opinião. E com razão. Pelos resultados obtidos, não só não ficou órfão, como tirou a virgindade a muitos eleitores que, pela primeira vez, colocaram um cruz á frente da cara de André Ventura. Foram mais 402.439 novos eleitores e ainda faltam vinte concelhos. Em percentagem, teve um resultado superior à AD nas legislativas de 2025, muito embora o valor absoluto é que importa em termos de análise comparativa. Estará a ganhar a confiança de mais eleitores? Ou será apenas um mero contexto político-eleitoral?

Em relação a António José Seguro, na segunda volta obteve mais 1.726.717 votos do que na primeira volta. Destes, sabemos que, provavelmente, ficou com os 257.633 votos de Catarina Martins, Jorge Pinto e do António Filipe, obtidos em 18 de janeiro. Restam 1.469.084 votos a mais. Entre Gouveia e Melo, João Cotrim de Figueiredo e Marques Mendes, temos no seu conjunto 2.216.780 votos. Entre votos nulos e brancos, foi confirmado um pouco mais do dobro da primeira eleição, 271.520 votos. Tratam-se de 145.859 eleitores adicionais que manifestaram não representar-se em ambas as candidaturas. De todas aquelas anteriores candidaturas, resulta que cada novo eleitor de André Ventura, três novos eleitores votaram em António José Seguro, sendo que ainda faltam vinte concelhos.

António José Seguro teve uma grande vitória e uma legitimidade incontestável. Foi uma vitória sua! Não da esquerda radical, da esquerda socialista ou de um partido. É uma vitória conquistada a pulso, com os seus próprios meios. Mas não podemos deixar de dizer que milhares de votos foram uma manifestação de anti-Ventura e não pró-Seguro. Mas isso acrescenta responsabilidade ao candidato eleito, pois existiu uma legitimidade atribuída por eleitores de todos os espectros políticos e de todas as áreas ideológicas. O país não virou à esquerda! Por isso, vai ter de fazer essa gestão, sabendo que mais de um milhão e quinhentos mil votos vêm do centro-direita e da direita liberal. Foi uma eleição muito singular e contextual.

Dos discursos, temos André Ventura que, de forma oportuna, que não no sentido oportunista, intitula-se líder da direita em Portugal. Sabe que não o é, mas o discurso é importante para impulsionar e mobilizar novos eleitores. O próximo OE 2027 promete, segundo consta. Já António José Seguro, vai ser exigente com o Governo na saúde, na proteção civil, na segurança e defesa, na educação, no combate à pobreza. O próprio diz que deve lealdade aos portugueses. Diz levar a sua conduta através de um cooperação e lealdade institucional, porque o país, diz, não pode andar a vida em eleições. Se um Presidente da República não se sobrepõe ao parlamento, se não se deve meter nas quezílias quinzenais, em caso de chumbo do orçamento, o que faz? Se houver um impasse parlamentar, se não o conseguir desbloquear, que decisão tomará? É que os discursos de estabilidade já houve muitos. Estou muito curioso para perceber o estilo de António José Seguro. Mas, por ser o nosso novo Presidente da República, desejo as maiores felicidades e que tenha todo o mérito na representação da nossa Nação.

Artigo de Opinião - Eleições Presidenciais 2026 / Cândido Marques





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