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Robô ou Cirurgião na Cirurgia da Coluna

🕒 19:33h


Artigo de opinião de António Francisco Martingo Serdoura, Diretor de Serviço do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital de São João





As dores nas costas são uma das queixas mais comuns da população em geral. Para muitos, começam como um incómodo, mas pode tornar-se um problema sério, com impacto no trabalho, na vida familiar e na qualidade de vida. Em alguns casos, quando os tratamentos habituais deixam de resultar, a cirurgia à coluna pode ser necessária.

A boa notícia é que esta área da Medicina está a mudar — e a mudar para melhor. Em Portugal, tal como noutros países, a cirurgia à coluna tem evoluído com um objetivo claro: reduzir riscos para o doente e melhorar os resultados clínicos.

Durante muitos anos, estas cirurgias foram associadas a procedimentos muito invasivos, recuperações longas e risco elevado de complicações. Mesmo com os avanços das últimas décadas, existe sempre um momento crítico: a precisão. Muitas cirurgias implicam a colocação de implantes para estabilizar a coluna, e pequenos desvios podem ter consequências significativas.

Um implante mal posicionado pode provocar dor persistente, irritação ou lesão dos nervos, limitações na mobilidade e, em alguns casos, obrigar a uma nova cirurgia. Para o doente, isto significa mais sofrimento e mais tempo afastado da vida normal. Para o SNS, representa mais dias de internamento, mais tempo de bloco operatório, mais exames e mais custos. É um problema que afeta todos.

É neste contexto que a robótica na cirurgia da coluna surge como uma nova revolução. A tecnologia não substitui o médico. O cirurgião continua a liderar todo o processo. A diferença é que passa a contar com um apoio que permite executar passos mais delicados com muito maior precisão. E quando a cirurgia é mais precisa, há menos erros, menos complicações e melhor recuperação.

Menos complicações significam também menor risco de reoperações e menos ocupação de recursos hospitalares. Um doente que recupera mais depressa regressa mais cedo à sua autonomia, à vida familiar e ao trabalho, reduzindo o impacto social e económico da doença. A inovação, neste sentido, deixa de ser um luxo e passa a ser uma decisão racional.

Naturalmente, a tecnologia por si só não chega. É essencial investir em equipas bem formadas, com treino contínuo e partilha de boas práticas, em que o doente deve estar no centro das decisões, com acesso a informação clara sobre as opções disponíveis.

Iniciativas como a campanha “Olhe Pelas Suas Costas” ajudam a promover a prevenção, o diagnóstico precoce e escolhas mais informadas. Tratar bem da sua coluna é a medida profilática mais importante.

Apostar na inovação é apostar em mais qualidade de vida e um SNS mais eficiente. É, acima de tudo, apostar num futuro onde tratar melhor também significa gastar melhor.

Artigo de opinião de António Francisco Martingo Serdoura, Diretor de Serviço do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital de São João






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