Festival Internacional de Cinema de Santarém 25 a 31 de maio
🕒 16:03h
19.º Festival Internacional de Cinema de Santarém 25 a 31 de maio de 2026 • Teatro Sá da Bandeira • Santarém
O Festival Internacional de Cinema de Santarém (FICS) regressa em maio com 19.ª edição de sete dias e foco em “Terra e Soberania“.
A programação inclui estreias nacionais, competições com prémios, o tradicional “Cinema à Mesa“, a performance “Desver“, pelo Teatro do Vestido, a exposição “Aves da Palestina“, o workshop “Da Ovelha ao Novelo“ com Rosa Pomar e outras atividades para escolas e famílias.
O Festival Internacional de Cinema de Santarém (FICS) regressa para a sua 19.ª edição entre 25 e 31 de maio de 2026, no Teatro Sá da Bandeira, em Santarém. Pela primeira vez, o festival terá sete dias de programação, reforçando a programação e ampliando o contacto com o público.
Sob o lema “Um festival da terra, pela Terra“, o FICS continua a afirmar-se como um espaço de encontro entre cinema, território e reflexão ambiental e social. A edição deste ano recebeu 276 filmes provenientes de 47 países, evidenciando o crescente alcance internacional do festival.
Para Emanuel Campos, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Santarém, presente na conferência de imprensa de apresentação da 19.ª edição do FICS, o festival representa um motivo de orgulho, “O Festival Internacional de Cinema de Santarém é motivo de grande orgulho para a cidade, o concelho e o distrito. Para além de ser um dos festivais de cinema mais antigos do país, tem sabido crescer e afirmar-se pela qualidade da programação e pela forma como mantém uma ligação forte ao território, ao mundo rural e às questões ambientais que fazem parte da identidade da região.“
Rita Correia, programadora e diretora do festival, explicou, na mesma conferência, por que é que o crescimento da programação era já necessário, “O crescimento do festival para sete dias responde à necessidade de consolidar a programação e de dar espaço ao público que tem acompanhado o FICS, em particular às escolas. Queremos que o festival continue a ser um lugar de encontro entre cinema, território e pensamento contemporâneo.“
➡️ Abertura e encerramento ligam cinema contemporâneo e património cinematográfico
A sessão de abertura contará com a estreia nacional de Better Go Mad in the Wild (Chéquia/Eslováquia, 2025), de Miro Remo , um híbrido documental que acompanha a vida de dois irmãos gémeos que vivem isolados na natureza e cuja relação começa a revelar tensões entre desejo de mudança e permanência.
O festival encerra com uma sessão especial dedicada ao património cinematográfico português. A Dança dos Paroxismos (Portugal, 1929), de Jorge Brum do Canto, será exibido com acompanhamento musical ao vivo pelo Conservatório de Música de Santarém, numa parceria com a Cinemateca Portuguesa.
Além das sessões em Santarém, o festival volta a estender-se à região com atividades já agendadas em Alpiarça e Almeirim, reforçando o compromisso do FICS com a descentralização cultural.
O programa educativo Sementes e Rebentos, dedicado a escolas e famílias, regressa nesta edição com sessões destinadas ao pré-escolar e ao primeiro ciclo, promovendo o contacto das crianças com o cinema e incentivando o debate e a reflexão nas salas de aula.
➡️ Cinema palestiniano em destaque na na secção “Terra e Soberania“
A secção Em Foco será dedicada ao tema “Terra e Soberania“, reunindo filmes que exploram questões de território, resistência e sobrevivência.
Entre eles encontra-se Free Fish (Portugal/Palestina, 2025), documentário de Bisan Owda e Carolina Pereira, filmado em Gaza. O filme acompanha o quotidiano de pescadores palestinianos que enfrentam o bloqueio marítimo e a ocupação, mostrando o mar como espaço de sobrevivência, memória e liberdade. A co-realizadora Bisan Owda foi recentemente distinguida com um Emmy na categoria Outstanding Hard News Feature Story, reconhecimento internacional pelo seu trabalho de reportagem e documentação em Gaza.
➡️ Aves, Ovelhas, Azeite e Teatro nas atividades paralelas ao cinema
A programação do FICS inclui várias atividades paralelas, como a peça de teatro “Desver“, com texto e interpretação de Joana Craveiro e produção do Teatro do Vestido, e a secção Cinema à Mesa, dedicada este ano ao azeite, com sessões acompanhadas por degustações relacionadas com os filmes exibidos.
Estão também confirmadas a masterclass “Da Ovelha ao Novelo – Conhecer e Trabalhar a Lã“, orientada por Rosa Pomar, e a Oficina de Conto Cinematográfico conduzida pelos realizadores Miguel Clara Vasconcelos e Patrícia Geula.
Destaca-se ainda a exposição “Aves da Palestina – A persistência da vida na catástrofe“, que reúne fotografias de observadores de aves palestinianos de Gaza, Cisjordânia e Galileia. A exposição apresenta imagens captadas por Lara e Mandy Sirdah, em Gaza, bem como por Mohamad Shuaibi, Saed Shomali e Bashar Jarayseh, na Cisjordânia, e Sina Ababseh, na Galileia. As fotografias mostram como, mesmo em contextos de ocupação, violência e destruição, a observação de aves se torna uma forma de ligação à terra e de afirmação da vida.
➡️ Um festival da terra, pela Terra
O Festival Internacional de Cinema de Santarém (FICS) foi criado em 1971, com o objetivo de trazer à cidade filmes nacionais e internacionais que explorassem as relações entre o ser humano, a terra e o território. Entre 1971 e 1989, o festival afirmou-se como um dos primeiros festivais internacionais de cinema em Portugal, destacando-se por uma programação dedicada às temáticas agrícola, rural e ambiental.
Após mais de três décadas de interrupção, o festival foi reativado em 2023 pelo Cineclube de Santarém, em parceria com a Câmara Municipal de Santarém, iniciando um novo ciclo dedicado ao cinema que reflete sobre questões ambientais, sociais e territoriais contemporâneas.
Hoje, o FICS mantém a sua matriz original, apresentando filmes de diferentes geografias e formatos que exploram a relação entre agricultura, mundo rural, ecologia e gestão dos recursos naturais, promovendo o encontro entre cineastas, investigadores, agricultores, artistas e público em torno de debates sobre o futuro do território e do planeta.