Albardeira recria álbum de José Afonso em espetáculo coletivo no Teatro Municipal de Ourém
No âmbito das celebrações do 25 de Abril, a Albardeira Associação Cultural apresenta “Enquanto há força”, um concerto espetáculo que recria integralmente o álbum homónimo de José Afonso, editado em 1978. A estreia está marcada para o dia 25 de abril de 2026, às 21h30, no Teatro Municipal de Ourém.
Mais do que um tributo, este projeto afirma-se como um gesto artístico e político: uma revisitação contemporânea de uma obra marcante do período pós-revolucionário português, onde se cruzam a esperança, a crítica social e o desencanto de um país em transformação. Quase cinco décadas depois, estas canções mantêm uma atualidade inquietante — e necessária.
Criado pela Albardeira Associação Cultural — coletivo jovem sediado em Ourém — o espetáculo reúne músicos locais e conta com a participação do artista lisboeta Vasco Ribeiro na voz. Em palco juntam-se ainda convidados como Bia Maria, xtinto e a Sociedade Filarmónica Ouriense, num encontro que valoriza o diálogo entre gerações, linguagens e territórios. Reforçando a dimensão comunitária do projeto, que sempre marcou a obra do Zeca, o espetáculo integra, em palco, um coro participativo e um coro de crianças, envolvendo ativamente a população local e alunos do ensino artístico da região.
Com direção artística de André Mendes, “Enquanto há força” propõe uma abordagem fiel à essência musical e poética do disco original, ao mesmo tempo que o reinventa através de uma forte componente cénica e comunitária. A cenografia do espetáculo estabelece um diálogo direto com a identidade gráfica do disco, criada em 1978 por José Santa-Bárbara, e estará a cargo do coreógrafo, bailarino e designer floral Filipe Pereira, da arquiteta Maria João Guedes e do designer Paulo Lopes.
Após a estreia em Ourém, o espetáculo seguirá por várias salas do país, envolvendo comunidades locais em cada apresentação e afirmando-se como um projeto vivo, participativo e enraizado nos territórios por onde passa.