Início Podcasts Entrevistas Contactos 🎧 OUVIR EMISSÃO

🕒ULTIMAS | 📌DESTAQUES | 📁ARQUIVO | 🔎PESQUISAR | 📸FOTO GALERIA


Investimento de 20,5 milhões de euros em Alenquer

🕒 2026-08-10 17:29h


Investimento de 20,5 milhões de euros em nova unidade de produção de biometano previsto para Alenquer





Está previsto para o concelho de Alenquer um investimento de cerca de 20,5 milhões de euros numa nova unidade de produção de biometano, a instalar na localidade de Marés, na Abrigada. O projeto pretende valorizar subprodutos agrícolas, pecuários e agroindustriais produzidos maioritariamente no território, transformando-os em biometano renovável e fertilizante orgânico. A futura unidade da empresa Gás da Terra procura dar resposta a uma necessidade concreta do setor agrícola e pecuário de Alenquer e da região envolvente, criando valor a partir de recursos já disponíveis, promovendo uma gestão mais eficiente dessas matérias e reforçando, em paralelo, a produção nacional de energia renovável e a ligação ao território.

Com uma produção anual estimada de cerca de 6 milhões de Nm³ de biometano, equivalente a aproximadamente 65 GWh de energia renovável, a unidade terá capacidade para valorizar perto de 84 mil toneladas de subprodutos por ano. O biometano produzido terá qualidade para ser injetado na rede nacional de gás, contribuindo para substituir gás natural de origem fóssil e para reforçar a produção nacional de energia renovável. A unidade deverá criar cerca de sete postos de trabalho diretos e 20 indiretos. Embora o biometano esteja ainda numa fase inicial de desenvolvimento em Portugal, a tecnologia está amplamente testada a nível internacional, existindo já mais de 1.600 unidades em funcionamento em 25 países na Europa.

As matérias a utilizar no processo terão origem em explorações agrícolas e pecuárias situadas num raio médio de até 30 quilómetros. Estrumes, chorumes e outros subprodutos orgânicos fazem parte da realidade da atividade agrícola e pecuária da região e a sua gestão pode constituir um desafio. Quando não são tratados e valorizados, estes materiais podem estar associados a odores, emissões para a atmosfera e riscos para solos e recursos hídricos.

O projeto pretende concentrar a sua gestão numa operação controlada, segura e rastreável, valorizando aquilo que hoje pode representar um problema ambiental e transformando-o em dois recursos: energia renovável e fertilizante para a agricultura. “Este projeto pretende transformar um desafio que já existe no território numa oportunidade. Estamos a falar de matérias que são produzidas na região e que podem passar a ser valorizadas de forma controlada, gerando energia renovável e devolvendo nutrientes à agricultura”, afirma Bernardo dos Santos, diretor-geral da Gás da Terra, empresa promotora do projeto.

O modelo é baseado numa lógica de economia circular: os subprodutos provenientes das atividades agrícola, pecuária e agroindustrial são encaminhados para a unidade, onde são valorizados para produzir biometano. No final do processo o digerido, subproduto da digestão anaeróbia, será utilizado como fertilizante orgânico, devolvendo nutrientes aos solos e reduzindo a dependência externa de fertilizantes minerais ou químicos.

A produção de biometano é realizada através de digestão anaeróbia, um processo biológico que decorre na ausência de oxigénio, dentro de equipamentos estanques, e que reduz significativamente o odor das matérias orgânicas de origem. A matéria orgânica produz biogás, que é purificado para poder ser injetado na rede de gás. A unidade foi concebida para que a receção e o tratamento sejam realizados em espaços fechados, com sistemas de extração e tratamento do ar, bem como soluções de impermeabilização, retenção e contenção destinadas à proteção dos solos e dos recursos hídricos.

A integração da unidade no território é uma das preocupações consideradas desde a fase de desenvolvimento. A localização prevista beneficia da proximidade às explorações fornecedoras e do acesso à Estrada Nacional 1 e à rede nacional de gás, reduzindo a necessidade de transportar as matérias-primas por longas distâncias. No que respeita ao tráfego, estão previstos 28 a 30 camiões por dia, exclusivamente em dias úteis e durante o período diurno. Uma parte relevante destes transportes já ocorre atualmente entre as explorações agropecuárias e os terrenos agrícolas onde estrumes e chorumes são aplicados. Com a unidade, estes fluxos poderão passar a ser realizados no âmbito de uma operação organizada e rastreável, com regras definidas relativamente a horários, percursos e condições de circulação.

O projeto encontra-se em processo de licenciamento ambiental e deverá ser sujeito a consulta pública, permitindo que a população e as diferentes entidades do território conheçam o projeto, coloquem questões e participem formalmente no processo. Paralelamente, têm vindo a ser mantidos contactos com o executivo da Câmara Municipal de Alenquer, com as Juntas de Freguesia e com os serviços técnicos municipais, tendo já sido realizada a primeira sessão de apresentação à comunidade local.

A intenção é que este diálogo se mantenha ao longo das diferentes fases do projeto. Estão em avaliação medidas como a criação de um canal direto de contacto com a população, mecanismos de resposta a questões e reclamações, a partilha regular de informação ambiental e o envolvimento de entidades técnicas ou científicas independentes no acompanhamento de indicadores relevantes.

O objetivo é que a futura unidade possa contribuir não apenas para a produção de energia renovável, mas também para dar resposta a uma necessidade concreta da atividade agrícola e pecuária da região, criando valor a partir de recursos já existentes e promovendo uma relação próxima e transparente com o território.
📷Ilustrativa








Partilhar este conteúdo:


Adicione como fonte preferencial no Google





PUB





Outras notícias




Pesquisar mais notícias


PUB



Contactar





  



© 2026 Tejo FM 102.9 | NIF: 502100249
Estatuto Editorial | Politica de Privacidade | Transparência
powered by Tecpromo