Início Podcasts Entrevistas Contactos 🎧 OUVIR EMISSÃO

🕒ULTIMAS | 📌DESTAQUES | 📁ARQUIVO | 🔎PESQUISAR | 📸FOTO GALERIA


Opinião: O país que vive das associações… mas esquece-se de as apoiar

🕒 2026-04-14 18:43h







Opinião: O país que vive das associações… mas esquece-se de as apoiar.

Há algo de profundamente contraditório em Portugal: somos um país que se orgulha do seu espírito comunitário, das coletividades, dos clubes, das bandas filarmónicas, das associações culturais e desportivas — mas, ao mesmo tempo, tratamos o associativismo como um parente pobre, daqueles que só se lembram quando dá jeito.

Basta percorrer qualquer vila ou cidade para perceber que muito do que dá vida às comunidades nasce do esforço voluntário. São as associações que organizam eventos, que mantêm tradições, que criam oportunidades para crianças e jovens praticarem desporto ou cultura, que combatem o isolamento dos mais velhos. Sem elas, o país ficaria mais silencioso, mais vazio — menos humano.

E, no entanto, quem está por dentro sabe: manter uma associação viva em Portugal é um exercício diário de resistência.
Fala-se muito de apoios, mas a realidade é outra. Os subsídios são escassos, irregulares e, muitas vezes, tardios. A burocracia cresce a cada ano, como se as associações fossem grandes empresas com departamentos administrativos — quando, na verdade, são frequentemente geridas por voluntários que, depois de um dia de trabalho, ainda encontram energia para manter portas abertas.

Há um paradoxo cruel: exige-se profissionalismo sem dar condições para isso. Pedem-se relatórios, candidaturas complexas, cumprimento rigoroso de regras — tudo legítimo — mas esquecem-se de que, por trás, estão pessoas que dão o seu tempo gratuitamente. Pessoas que não recebem salário, mas carregam responsabilidades.

E depois há a questão do reconhecimento. Ou melhor, da falta dele.

Quantas vezes se vê o associativismo ser valorizado apenas em discursos formais? Nos dias de festa, nas inaugurações, nos discursos políticos, lá estão as palavras bonitas sobre “o papel fundamental das associações”. Mas quando chega o momento de decidir orçamentos, prioridades e políticas concretas, esse papel parece encolher.

O resultado está à vista: dirigentes cansados, dificuldade em renovar gerações, estruturas envelhecidas e, em muitos casos, portas que se fecham. Não por falta de vontade, mas por falta de condições.

E quando uma associação fecha, não é apenas uma porta que se encerra — é um pedaço da comunidade que desaparece.
Talvez esteja na altura de repensar prioridades. Apoiar o associativismo não é um favor, nem um gesto simbólico: é um investimento social. Cada euro investido numa associação regressa multiplicado em coesão, saúde, educação e qualidade de vida.

Portugal não precisa apenas de grandes projetos ou grandes infraestruturas. Precisa de continuar a ter gente que se junta, que constrói em conjunto, que cria pertença.

Mas para isso, é preciso mais do que palavras.

É preciso apoiar — a sério.

Artigo de Opinião de:

Rodolfo Cruz

Assistente direção Ateneu Artístico Cartaxense, Funcionário da instituição à 11 anos.

Passou pelo associativismo desde os 6 anos, Rancho folclórico Vale de Santarém, Clube de Futebol Vale de Santarém e Dança de Salão do Vale de Santarém.

São mais de 30 anos ligado ao associativismo, formado em administração e secretariado, “vê o associativismo com uma causa“ nobre








Partilhar este conteúdo:





PUB





Outras notícias




Pesquisar mais notícias


PUB



Contactar





  



© 2026 Tejo FM 102.9 | NIF: 502100249
Estatuto Editorial | Politica de Privacidade | Transparência
powered by Tecpromo