Opinião: Psicóloga Bárbara Ramos Dias alerta para a importância de cuidar das 5 feridas
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Dia da Criança Psicóloga Bárbara Ramos Dias alerta para a importância de cuidar das 5 feridas emocionais dos pais
A propósito do Dia da Criança, a psicóloga Bárbara Ramos Dias deixa um alerta aos pais e cuidadores: muitas das dificuldades vividas na educação dos filhos têm origem em feridas emocionais não resolvidas dos próprios adultos. Especialista em adolescentes e autora de quatro livros, a psicóloga defende que a parentalidade consciente começa no equilíbrio emocional dos adultos. Com efeito, «um pai ou mãe podem amar profundamente um filho, e mesmo assim reagir a partir da sua dor, e não da realidade.»
Segundo Bárbara Ramos Dias, «as nossas feridas emocionais não desaparecem só porque crescemos. Muitas vezes, tornam-se «botões invisíveis» que os filhos carregam sem intenção... e que ativam reações muito intensas nos pais.» Assim sendo, para assegurar um crescimento saudável das crianças e jovens, muitas vezes é necessário tratar, em consultório, as feridas emocionais dos pais. A partir daí, poderão lidar melhor com os filhos, e também consigo próprios.
Justamente, o conceito das cinco feridas emocionais ficou sobretudo conhecido através da autora canadiana Lise Bourbeau, autora do livro «As 5 feridas que impedem a felicidade». Concretamente, são elas o abandono, a rejeição, a humilhação, a traição e a injustiça.»
Efetivamente, em mais de 25 anos a acompanhar adolescentes e pais, Bárbara Ramos Dias comprova que «estas cinco grandes feridas emocionais costumam refletir-se muito na parentalidade».
Por exemplo, no caso da ferida de abandono, «pais com esta ferida têm muito medo de serem deixados para trás, ignorados ou “substituídos“». Num cenário comum, em que «um adolescente fecha-se no quarto, responde pouco ou prefere estar com amigos, o pai pode sentir isso como “já não precisa de mim“, “está a afastar-se“ ou “estou a perdê-lo“.» Por conseguinte, «reage com carência, dramatização, culpa ou excesso de dependência emocional.» Porém, a psicóloga esclarece que «às vezes, o filho só está a crescer... mas o pai revive emocionalmente um abandono antigo.»
A partir daí, o mais importante é esclarecer que «as feridas emocionais não fazem de alguém um “mau pai“ ou “má mãe“». Porém, «quando não são trabalhadas, acabam muitas vezes por comandar a relação com os filhos.»