Opinião / Quando o sonho viaja à custa de quem nunca desiste
🕒 04:15h
Todos gostamos de celebrar as medalhas, os hinos, as fotografias no pódio e as bandeiras erguidas. São momentos que enchem de orgulho atletas, famílias, clubes e o país.
No entanto, por detrás de cada participação internacional existe uma realidade que raramente merece destaque.
Em Portugal, são muitos os atletas que representam o nosso país em competições internacionais, mas que chegam a esse palco graças ao enorme esforço das suas famílias.
Na maioria das vezes, são os pais que suportam os custos das viagens, alojamento, alimentação, equipamentos e inscrições, fazendo verdadeiros sacrifícios para que os seus filhos possam viver o sonho de competir ao mais alto nível.
Os clubes, por sua vez, fazem tudo o que está ao seu alcance. Organizam eventos, procuram patrocinadores, promovem campanhas de angariação de fundos e canalizam recursos próprios para reduzir o impacto financeiro sobre as famílias. Contudo, a realidade é que a maioria das associações desportivas vive com orçamentos limitados e não consegue responder a todas as necessidades.
É impossível ignorar que o acesso às competições internacionais continua, muitas vezes, dependente da capacidade financeira de cada família. O mérito desportivo não deveria ser condicionado pela carteira dos pais, mas sim pelo talento, dedicação e trabalho dos atletas.
Também as federações enfrentam enormes desafios. Com recursos limitados e orçamentos muitas vezes insuficientes para responder às necessidades das diferentes modalidades, acabam por não conseguir garantir o apoio que atletas e clubes desejariam. Não se trata apenas de apontar responsabilidades, mas de reconhecer que o sistema necessita de mais investimento e de uma estratégia que permita apoiar de forma mais consistente quem representa Portugal além-fronteiras.
O desporto português tem qualidade, talento e profissionais de excelência. O que continua a faltar é um investimento que acompanhe essa qualidade. Enquanto isso não acontecer, continuaremos a assistir a famílias que fazem contas, clubes que multiplicam esforços e dirigentes que procuram soluções para que nenhum atleta fique em casa por falta de dinheiro.
Representar Portugal deve ser um motivo de orgulho, nunca um peso financeiro quase impossível de suportar.
O futuro do desporto passa por garantir que nenhum sonho termina antes de começar, simplesmente porque faltou o apoio necessário para chegar à competição.
Porque quando um atleta veste as cores de Portugal, representa muito mais do que um clube ou uma família. Representa um país inteiro. E esse compromisso deve ser partilhado por todos.
* Artigo de Opinião de: Rodolfo Cruz
Assistente direção Ateneu Artístico Cartaxense, Funcionário da instituição à 11 anos.
Passou pelo associativismo desde os 6 anos, Rancho folclórico Vale de Santarém, Clube de Futebol Vale de Santarém e Dança de Salão do Vale de Santarém.
São mais de 30 anos ligado ao associativismo, formado em administração e secretariado, “vê o associativismo com uma causa“ nobre