Início Podcasts Entrevistas Contactos 🎧 OUVIR EMISSÃO

🕒ULTIMAS | 📌DESTAQUES | 📁ARQUIVO | 🔎PESQUISAR | 📸FOTO GALERIA


O maior desafio do turismo português pode já não ser atrair turistas

🕒 02:40h


Opinião: João Paulo Rodrigues, diretor da Licenciatura em Turismo da Universidade Europeia





Durante muitos anos, Portugal teve um objetivo claro: afirmar-se como destino turístico, ganhar notoriedade internacional e atrair mais visitantes. Esse caminho foi feito com sucesso. Hoje, o país é reconhecido pela qualidade da oferta, pela segurança, pelo património, pela gastronomia, pelo clima e, sobretudo, pela hospitalidade.

Mas o sucesso traz novos desafios. E talvez o maior desafio do turismo português já não seja conseguir que mais pessoas nos visitem e sim garantir que Portugal continua a ser um bom lugar para viver.

O turismo é uma atividade essencial para a economia nacional. Cria emprego, dinamiza empresas, recupera património, promove territórios e contribui para a internacionalização do país. Seria, por isso, errado transformar o debate sobre pressão turística numa oposição simplista entre residentes e visitantes.

A questão é outra: como garantir que o crescimento turístico cria valor sem comprometer a qualidade de vida das comunidades que tornam cada destino único?
Um destino não é apenas um conjunto de hotéis, restaurantes, monumentos ou experiências. É, antes de tudo, uma comunidade. São as pessoas, os bairros, o comércio local, as tradições e as rotinas que lhe dão identidade. Quando essa identidade começa a desaparecer, perde-se também parte daquilo que o visitante procura.

É aqui que a sustentabilidade turística precisa de ganhar uma dimensão mais ampla. Durante muito tempo, falámos sobretudo de sustentabilidade ambiental. Hoje, temos também de falar de sustentabilidade social.

Isso significa pensar a mobilidade, a habitação, o ordenamento do território, a capacidade de carga dos destinos, a valorização do comércio local e a distribuição dos fluxos turísticos por diferentes regiões e épocas do ano.

Significa também envolver mais os residentes nas decisões sobre o desenvolvimento turístico dos seus territórios. Não podemos medir o sucesso de um destino apenas pelo número de visitantes, dormidas ou receitas. Temos igualmente de perguntar se quem lá vive sente que beneficia desse crescimento.

O futuro do turismo português dependerá da capacidade de encontrar este equilíbrio.

Precisamos de turistas. Mas precisamos igualmente de cidades vivas, comunidades fortes e territórios onde as pessoas queiram continuar a viver, trabalhar e criar família.

Porque existe uma ideia que não podemos esquecer: não há grandes destinos turísticos sem comunidades que tenham orgulho em lhes chamar casa.








Partilhar este conteúdo:


Adicione como fonte preferencial no Google





PUB





Outras notícias




Pesquisar mais notícias


PUB



Contactar





  



©℗ 2026 Tejo FM 102.9 | NIF: 502100249
Estatuto Editorial | Politica de Privacidade | Transparência
powered by Tecpromo